Sempre acreditei na aleatoriedade dos eventos, sem um fluxo direcionado, mas, após minha amiga Binele repetir "nada é por acaso" várias vezes, passei a analisar algumas situações passadas da minha vida congruentes com o pensamento dela. Fez-me pensar mais sobre isso, vendo que talvez precise refinar meus conceitos.
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Fonte: NetNature. |
Inicialmente eu acreditava, e ainda acredito, na Teoria do Caos. Nela, tudo acontece sem ser guiado, isto é, assume direções aleatórias. Desde nascimento duma pessoa em algum lugar até surgimento de novos corpos celestes nos confins do universo, tudo ocorre aleatoriamente com eventos grandes e pequenos produzindo outras manifestações intensamente pequenas ou enormes que afetam outros acontecimentos numa complexa reação em cadeia. Se pudéssemos olhar para esses eventos e suas interações entre si, veríamos algo parecido com um conjunto de fios emaranhados. Uma coisa confusa, sem nenhuma ordem perceptível, não é mesmo?
Porém, analisando conjuntos menores de eventos e suas interações, vemos certa organização que determina a sequência das ações. Quando partimos para grupos maiores, inicialmente não enxergamos ordem, porém, com muito estudo, regularidade é encontrada. Hoje em dia temos muitas fórmulas, equações e teoremas explicando fenômenos físico-químicos que no passado não tinham uma ordem conhecida. Muita gente conhece, por exemplo, a fórmula E=m*c².
Exemplificando, pense no lançamento de um dado sobre alguma superfície rigidamente parada, a posição da queda, sua velocidade inicial e do vento passando, bem como suas direções, amortecimento ao quicar na superfície, tudo isso determina o resultado que vai sair. Se, porventura, a superfície sofrer trepidação e for constituída de um material mais flexível, mantendo-se as demais condições, o resultado pode ser bem diferente. Cada variável dessas possui sua própria intensidade e momento de atuar, afetando os resultados. Estes as afetam, assim como elas foram afetadas por outras condições geradas doutras. O aumento delas aumenta suas interações, ficando cada vez mais difícil vermos a sequência de tudo com clareza, pois os eventos estão interligados numa rede enorme e infinita.
Ou seja, o que entendemos como sendo ao acaso pode ter uma ordem desconhecida para nós. Não a enxergamos por conta do conjunto de eventos e suas interações serem gigantescos, talvez até infinitos, como se fossem um oceano. Nós somos apenas uma sardinha dentro dele. Mesmo que tentemos descobrir a geratriz de determinado evento, ele pode estar distintamente conectado em outros eventos, podendo criar uma teia tridimensional que se expande ao infinito. Sendo tudo isto verdade, de fato, nada é por acaso e as coisas estão acontecendo conforme alguma ordem oculta. Minha amiga Binele possivelmente está certa.